quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Reset. Go!


Enfim, mestra. Sim, acabei meu mestrado. Depois de dois anos e meio nessa jornada nova que foi mergulhar na geografia, o título de mestra. Já estou na mesma lista que o mestre dos magos e o mestre Yoda.


E eu lembro que assim que a minha orientadora disse “Aprovada”, a primeira coisa que eu disse foi: “E agora?”. Porque é um ciclo que acaba e outro que começa. Ou recomeça, porque agora é procurar emprego, recomeçar a busca pela carreira acadêmica no doutorado. Então... E agora? É difícil recomeçar. Onde começa? Qual o ponto de partida?


É difícil começar. Recomeçar. O primeiro dia em um emprego novo. O primeiro dia na escola! Começar a amar alguém sem ter medo por conta de relacionamentos passados. É difícil. Por mais que cada dia seja sempre um reinício, recomeçar exige um tanto de atenção da mente e do coração.

Às vezes nos vemos diante de um campo tão grande que a gente fica com borboletas no estômago, nervoso com tantas possibilidades. Mas é um tanto quanto complicado saber: por onde eu começo? Essa é a pergunta que estou me fazendo todos os dias. E é óbvio que para começar é necessário partir para a ação, mas como faz isso? Às vezes planejamos na cabeça, colocamos no papel, mas é difícil jogar os dados e finalmente mover a primeira peça.


Nas tentativas de me inspirar e buscar orientação para essa nova fase, fui ler artigos no Medium e em alguns blogs sobre autodisciplina, sobre foco. E devo dizer que só fiquei ainda mais aflita. Os títulos só me assustavam com coisas do tipo “O sucesso dos CEOs e sua relação em acordar de madrugada” ou “Como ser bem sucedido meditando 8 horas por dia” ou “Como eu consegui viver bem acordando às 6h da manhã, cuidando da minha empresa, viajando o mundo, me alimentando de vegetais orgânicos e ganhando o Nobel da literatura, vendendo best-sellers e dormindo às 22h. TUDO NO MESMO DIA!”. Não, não consigo acordar antes das 7h, preciso tomar café preto todas as manhãs e não, não vou correr 5km todos os dias. Coldplay no seu último álbum decente disse: “Nobody said it was easy. No one ever said it would be this hard. Oh take me back to the start”. Tá, meu filho, mas o começo também não é tão fácil assim né?


Estar livre para buscar o que quiser é bom, mas também tem seus pesos, pois é difícil ter essa autodisciplina; tentar achar o fio da meada de onde seria bom enviar meu currículo para tentar dar aulas esse semestre ou que universidade tem um bom programa para o meu doutorado ou se é interessante eu investir na carreira de barista ou como fazer com que eu tenha vergonha na cara e escreva mais nesse blog e escreva mais sobre cafés e coisas que as pessoas já me disseram que eu deveria escrever porque sou boa nisso. Eu sei que é bom atirar pra todo canto, mas deve ser bom investir em um foco para ter mais certeza de acertar o alvo né? E ao mesmo tempo saber que eu tenho uma saúde mental para prezar e que eu não devo ficar enfurnada em casa louca nessa jornada de recomeço e tentar relaxar, ir aos poucos. Como disse o boy quando eu comentei que hoje, finalmente, consegui acordar antes das 9h: “One step at a time”. E até nisso está sendo um recomeço: me permitir curtir alguém. Nos últimos anos me frustrei tanto que decidi não sentir mais nada. Até que apareceu um cara legal e eu me vi no dilema: permanecer fechada ou me aventurar?


Porém, a vida é feita de começos e recomeços, né? Todo dia termina e começa. Recomeça. E a gente não pode ter medo de partir pra ação, porque a vida é assim mesmo. É como aquele jogo, Jenga. A gente vai construindo, construindo, até que em algum momento, cai. E o que a gente faz? Recomeça.



Se não der certo, é só recomeçar. E se der certo, pode recomeçar também. Nós temos esse direito.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Sou uma mulher sensual e inteligente. AO MESMO TEMPO!


Eu não pretendia escrever esse texto. Minhas últimas postagens foram voltadas à pauta feminista sem querer. E olha que eu já disse que eu não era feminista no passado. Que eu lutava pela “igualdade dos gêneros” sem ser feminista. Pois é. Ninguém é perfeito, não é mesmo? Não nascemos desconstruídos. A vida vai nos ensinando e vamos aprendendo. O que seria da vida se já soubéssemos de tudo, né? O importante é partir do ponto de que somos um nada que se constrói a cada dia.

Na verdade, eu ia escrever sobre a razão de não ter postado nas últimas semanas: finalizei o mestrado. Bem, quase. Falta defender oficialmente. Mas a dissertação já está impressa e entregue. Então eu ia escrever um pouco sobre minha relação com a universidade e o quanto minha pesquisa foi importante na minha descoberta comigo mesma.

Semana passada, eu entreguei as dissertações, fui pra evento sobre Hannah Arendt (a mulher foda que uso na minha análise de pesquisa) acompanhei alunos em atividade de campo... foi muita coisa, mas foi uma semana de uma felicidade que eu não sentia há anos. Cheguei em casa na quarta feira tão feliz e me sentindo bonita que decidi tirar umas fotos que já queria tirar há uns meses. Peguei a câmera, coloquei no timer, soltei o cabelo e foi.

Foram fotos que eu precisava mostrar pra mim (e para o mundo, talvez) pra dizer: “olha como você amadureceu. Olha como você se tornou a mulher que você queria ser. Ou que sempre foi, mas sempre se deixava esconder”. Acabou que eu amei o resultado e decidi postar no instagram.

Eu sempre tive baixa autoestima. Nunca me senti suficientemente bonita. Me achava a amiga feia. Sempre tinha dificuldade de me colocar no mundo como eu me sentia de verdade por dentro. Acontece que esses dois anos de mestrado não foram só de pesquisa acerca de indicações geográficas, mas de pesquisa sobre quem eu era. Sobre minha relação com minha cidade natal, com meus amigos... Foi uma autodescoberta. E talvez por isso, nesse fechar de ciclo, eu tinha que me apresentar novamente. Eu tinha que apresentar ao mundo essa Bruna que estava escondidinha e agora vivia e se colocava no mundo, porque agora ela estava confortável com ela mesma.

Até um amigo comentou: “Poxa, Bruninha. Você está irradiando. Você sempre foi essa mulher, mas parece que agora você SE SENTE essa mulher forte. Você saiu do armário”. E era isso que eu sentia. Que agora eu sinto. E me senti feliz de uma maneira que eu não sentia há anos. Pra ser exata, desde setembro de 2013.

Daí que hoje, meu pai veio comentar comigo sobre as fotos. Dizendo que não tinha gostado e que acredita que uma mulher inteligente não sente necessidade disso. E que se eu sou uma quase mestra e que pretendo dar aulas, será que fotos como essas cairiam bem para uma professora universitária?

Eu nem preciso falar muito para dizer o quanto isso me afetou. Então quer dizer que algumas fotos fragilizam a minha inteligência? Que uma foto minha de blusa me faria uma professora ruim? Ou de honra questionável? Se é que isso existe? Que uma foto dá margem a ser desrespeitada por alunos ou colegas de trabalho? Ou que põe em xeque meu conhecimento?

Que uma foto desmerece as quatro línguas estrangeiras que falo (sem contar minhas aventuras no finlandês)? Que uma foto desmerece minha graduação em Direito em uma universidade federal e um mestrado em geografia em outra federal? Que desmerece o reconhecimento que já tive de professores estrangeiros? Que retira o convite que recebi de fazer doutorado no Canadá? Que desmerece todo o trabalho e reconhecimento que já tenho de alunos da graduação em ciências sociais e geografia da Universidade Federal de Pernambuco? De comunidades produtoras que venho trabalhado nos últimos anos (tanto em Alagoas como em Pernambuco)?

Será que uma mulher não pode ser bonita e inteligente? Será que uma mulher não pode ser sensual e ser cientista? Então quer dizer que uma mulher inteligente não pode ser modelo, por exemplo? Será que temos que escolher entre sermos mulheres livres pra usar batom vermelho ou sermos cientistas? Será que uma mulher inteligente não pode sair na rua sem sutiã porque isso é coisa de mulher que não se dá ao respeito? EXISTE MULHER QUE NÃO SE DÁ AO RESPEITO?

Então pra sermos inteligente nós, mulheres, temos que nos vestir mulambadas para sermos levadas à sério? Na academia, na política? Temos que nos vestir como homens para passar credibilidade? Temos que ficar de terninho sempre para mostrar ao mundo que devemos ser ouvidas e que temos sim conhecimento a ser ouvido e levado à sério?

Por alguns minutos, fiquei incrédula e extremamente magoada. Principalmente vindo dessa pessoa. Apesar de não me ser novidade o posicionamento machista que já me magoou inúmeras vezes. Entretanto, agora, eu sou uma mulher que saiu do armário e que tem muito orgulho de onde chegou. Que depois de tanto tapa na cara, de ter enfrentado tantas batalhas, internas e externas, não embarga a voz para se defender. Nem para defender as inúmeras mulheres que também precisam da minha voz. Não apenas para lutar por elas, mas para fazer com que elas SE OUÇAM! E busquem também colocar essa voz pra fora.

Meu amigo me lembrou do podcast Maria vai com as outras da Rádio Piauí, no qual teve um debate sobre a mulher que envelhece (clica aí pra ouvir esse episódio que é incrível!). E trago aqui um trecho do episódio que me tranquilizou e me disse que sim, eu sou uma mulher da porra e vou continuar sendo essa mulher da porra, sensual e inteligente pra caralho.

“Aí eu fui pra uma conferência internacional e eu usava mini saia. Aí uma cientista, não brasileira, veio dizer que achava que eu ia ser melhor aceita se eu me vestisse assim mais simplinha: jeans e camiseta. Quem sabe eles não percebessem que eu era mulher. E aí eu decidi que todo mundo ia perceber que eu era mulher. O tempo todo. E mesmo assim iam ter que me aturar. [...] “Márcia, tu num acha que quer o melhor dos dois mundos? Tu quer vestir saia curta, salto alto, usar batom e ao mesmo tempo fazer ciência. [...] Tu tem que optar.” Há uma visão equivocada de que em algum momento a gente tem que fazer algumas opções, quando não é necessário fazer opção. [...] A gente tem que entender: eu vou fazer aquilo que eu quero fazer. [...] Nem todo mundo consegue fazer isso: as pessoas tímidas, as pessoas quietas, as pessoas que não conseguem ser ouvidas, tá, porque todo mundo tem voz, mas as pessoas às vezes não conseguem ser ouvidas, elas vão ter mais dificuldade pra fazer. Então eu compreendo que as pessoas que nasceram com a capacidade de ter voz mais alta, de brigar mais, de ter um certo prazerzinho na briga, tem a obrigação de fazer isso. Que é o meu caso. Eu sinto isso como uma obrigação, de todo o tempo, cutucando, o tempo todo sobre esse assunto. Pra ver se as pessoas acordam que tudo é possível, pra poder explorar melhor ciência. E que isso não impede que eu tenha adquirido um conhecimento de ciência, de vida, que é respeitável. Não é minha saia que torna meu conhecimento não respeitável. Não é o meu batom vermelho, não é o salto alto, não é nada disso que torna meu conhecimento desrespeitado. É o conhecimento que tem que ser visto. E é esse respeito que eu exijo. Eu não vou me deixar ser interrompida, ser tirada da minha posição. [...] Vou incomodar até o final dos tempos”.

E é isso. Deixo aqui meu recado para todas as mulheres: sejam sensuais. Sejam inteligentes. Sejam incríveis. SEJAM O QUE PORRA VOCÊS QUISEREM SER! E fica aqui uma foto pra mostrar meu sorriso guerrilheiro contra o machismo.




quarta-feira, 15 de maio de 2019

Let it go


“Por que ela termina sozinha no castelo de gelo? Porque ela é lésbica. [...] Eu fui menina, eu sonhei em ser princesa. Eu sonhei com meu príncipe encantado.”

Essa foi a pérola da semana da ministra Damares Alves falando da princesa Frozen, aka Elza. A Elza, enviada do cão, iria salvar a bela adormecida com um beijo gay. Pois é. A Disney quer fazer um crossover da Bela Adormecida com Frozen. Que a Damares não bate muito bem da cabeça, todos nós sabemos. E diante desse seu desequilíbrio (?), ela não nos mostra apenas o problema da homofobia no Brasil, mas esse papel incumbido da mulher de ser princesa.


Ano passado, mudando de canal buscando algo interessante para assistir, comecei a ver Malévola, aquele filme da Bela Adormecida com a Angelina Jolie. Como sabemos, a Bela Adormecida na versão da Disney acorda com o beijo do príncipe encantado. Depois de anos acostumada com essa versão, parei e pensei: “Meu deus, a Bela é beijada sem o consentimento dela! Isso é muito errado!”. E daí fui pesquisar a história original dos irmãos Grimm de 1813 e bem... A Bela Adormecida era na verdade estuprada por um rei. Tá, essa versão é realmente pesada para os Contos de Fadas dirigidos às crianças. Mas a versão de fada que fizeram também não é nada saudável.


Depois de anos em relacionamentos, esse ano estou solteira. Dentre esses relacionamentos eu: quase casei, passei por um relacionamento abusivo, namorei com um cara que depois descobri ter abusado de garotas. Se eu sou uma princesa, meu conto de fada é deprimente. E esse é o problema.


Crescemos com essa ideia de que nós, mulheres, iremos encontrar nossos príncipes. Que só seremos completas quando encontrarmos nossa metade da laranja. Que o objetivo da vida é casar e ter filhos. Nesses meses solteira, fiquei pensando: “será que vou atingir esse objetivo?” Mas... é esse o meu objetivo? Ser princesa e encontrar meu príncipe?


Foi um baque para mim não estar mais me relacionando. E você pode pensar: “mas que besteira”. Mas eu sempre estive mergulhada nessa cultura. É difícil desconstruir o castelo encantado. E por mais que você se veja feminista hoje, lutando pela independência das mulheres, lá no fundo, você ainda deve sentir esse resquício dos contos de fadas lá dentro.


Bridget Jones é um dos meus filmes favoritos e eu cresci amando ver Bridget sendo a solteirona destrambelhada, morando em um apartamento super legal, chorando e bebendo sem parar. E depois encontrando um Darcy. Mesmo nos filmes que tentam empoderar mais a mulher, no final, tem um homem. E eu não estou dizendo que tem que matar todos os homens não tá, só a Rihanna pode fazer isso por nós. Mas a gente NÃO PRECISA DE UM HOMEM PARA NOS EMPODERAR!


Estou acabando meu mestrado. Uma vez, minha tia me perguntou o que eu planejava pro futuro. Eu disse que queria seguir pro doutorado e queria fazer em outro lugar. Ela me disse: “Mas e seu futuro?”.
- Como assim, tia?
- Você não pensa em casar? Ter filhos?
Eu fiquei: meu deus, eu quero ser DOUTORA e a mulher vem me perguntar se eu quero casar ou ter filhos.
- Ah, sei lá. Se aparecer ótimo, se não, ótimo também. Mas pensando bem, pra quê ter filhos em um mundo como esse? Com o Bolsonaro prestes a ser presidente? 


Em um encontro com meus amigos e meu ex-namorado, meus amigos perguntaram a ele se ele ia morar junto da atual dele. Ele disse que não pensava nisso agora, mas via praticidade quando pensava na economia que era dividir o aluguel do apartamento e afins. Então no fim das contas, era mais uma questão utilidade. Eu ri e fiquei pensando: poxa, não quero isso não.

Imagina que maravilha você morar por conta própria. Pagar todas as suas contas com o dinheiro do seu bolso. Não dividir a cama todos os dias. Não ter que se preocupar com a vida não resolvida de macho, já que nós, mulheres, sempre acabamos sendo a 2ª mãe para ensinar como passa roupa; como se cuida; como limpa a casa e etc.


E não é que eu abomine a ideia de me relacionar. Afinal, como o tapa na cara que um amigo me deu uma vez: “No final das contas, todo mundo quer uma companhia. Quer um dengo. Quer aquele cheiro no cangote no fim do dia”. Mas primeiro, eu temos que aprender a NOS amar e sermos suficientes nesse amor. O que vem é bônus e não complemento.


Devo admitir que ainda estou em conflito. Depois de muitos anos em companhia, é um pouco estranho me ver livre dos direitos e deveres do contrato de relacionamentos. Mas aos poucos estou aprendendo a deixar essa ideia de ser princesa (Só aceito se for como a Liz Lemon).


E como a Elza, não existe só o amor do príncipe. O amor de irmã é um amor verdadeiro, por exemplo (e é ainda mais verdadeiro).

Acho, na verdade, que todas deveríamos ser Elzas.


Até porque a Damares errou. A Elza não é princesa. A ELZA É RAINHA.


E como rainha eu quero ter um castelo de gelo onde eu possa morar sozinha e chamar quem eu quiser, beijar quem eu quiser, amar quem eu quiser e ser quem eu quiser!

LET IT GO BEING A PRINCESS. I’M A FUCKING QUEEN, BITCH!


terça-feira, 7 de maio de 2019

Fugindo das redes sociais


Não faz muito tempo que a professora da minha irmã me enviou um livro chamado ’10 argumentos para você deletar agora suas redes sociais’. Há uns anos atrás, depois de um relacionamento abusivo, saí do Facebook porque não estava mais me fazendo bem. Além das discussões inúteis que surgiam. Ano passado, decidi sair de todas as redes sociais pois estavam sendo gatilho para crises de ansiedade, mas no fim do ano, me sentindo melhor, voltei.



Estou terminando o mestrado e a gente sabe que nas redes sociais vão surgindo muitas oportunidades que podem ser incríveis para a carreira. Já recebi dicas de um professor que fiz amizade em um evento no Rio de Janeiro, fiz amizades maravilhosas com os fãs do Foro de Teresina... Mas devo admitir que as redes sociais voltaram a ser gatilho para ansiedade e angústia.



Para começar, o Biroliro é o novo presidente do Brasil e em quatro meses de governo, retrocedemos 40 anos. É claramente impossível ficar animado com as notícias sobre o país. Além disso, as pessoas parecem ter optado pela ignorância e estamos sendo engolfados por notícias falsas e ataques desnecessários como os da esquerda à Tabata Amaral.


E outras coisas permanecem sendo horríveis para a autoestima como a vida perfeita do Instagram. Ou aquele seu crush que só vai ser crush mesmo e você fica ‘poxa que merda’ e sua autoestima começa a cair feito as plantas da sua varanda que foram esquecidas diante de tanta correria com as atividades finais do mestrado. Ou as amizades que você esperava estar te ajudando não aparecem mais para mandar um oi.


E apesar de você querer muito sair disso, você sabe que mexer no smartphone é tipo uma droga, por mais que você diga “NÃO!”

Daí que esses dias lembrei como era a vida sem tanta distração numa tela. Não, eu não sou o Bauman dizendo ‘na minha época que era bom, todo mundo era feliz, tudo era mato’. Mas sinto falta do sair mais com as pessoas e ir tomar um sorvete. Ir no McDonalds num domingo à tarde para falar da semana. Passar horas e horas entretida lendo Harry Potter e só parar porque sua mãe chamou pra jantar. Eu sei que a vida muda, a vida adulta tem um monte de responsabilidades e a banda não toca mais da mesma forma. Mas você também não se sente assim?

Quando a pessoa chega em casa pensa: “Vou ver aqui rapidinho o Instagram” e o que era 10 minutos virou 1 hora! Assistir um filme sem ficar segurando o celular do lado. Já são vários os artigos falando que os smartphones estão atrapalhando nossa atenção, nossa produtividade e até nosso descanso.
Eu não sou contra as redes sociais. Adoro como posso me comunicar com meus melhores amigos que moram em cidades, países diferentes. Um dos meus melhores amigos é finlandês e somos amigos de internet há 10 anos. Mas eu também quero amizades ao vivo e a cores. Você não acha estranho fazer amizade ou iniciar relacionamento por um aplicativo? Tá, tá, eita a Bruna é toda old school, já já vai jogar lencinho no chão pra ver se um cavalheiro vai pegar e dar de volta pra ela. Mas o mundo também está tão louco e eu juro, morro de medo dos macho que aparecem nesses aplicativos. Se na vida real já está difícil, imagina escondido por trás da tela de um celular? Além de me sentir num cardápio em que as pessoas vão passando e pensando “comeria... não comeria não... comeria...”


“E nesse desespero em que me vejo... já cheguei a tal ponto” de perguntar no instagram o que eu deveria fazer para ocupar a mente diante de tanta coisa ruim acontecendo e evitar as redes sociais para evitar também gatilhos de ansiedade. Eis a lista:

  • Yoga – fiz hoje e olha... realmente vale a pena
  • Escrever – em andamento
  • Ler – esse ano já li 13 livros! Estou feliz, mas acho que as últimas semanas foram corridas e não pude manter o ritmo
  • Ter um gatinho – meu sonho, mas preciso estudar mais a possibilidade
  • Cozinhar – realmente preciso, até para me alimentar melhor
  • Abrir um café – literalmente mais 500 (mil reais), apesar de ter um curso de barista para fazer
  • Bordar – preciso ter uma pequena aula com mamãe para relembrar como fazer ponto cruz
  • Fazer crochê – já tentei, não rola
  • Fazer teatro – amo e sinto saudades, mas tempo também é algo meio louco para mim ultimamente
  • Nadar – queria, mas meu prédio não tem piscina e tenho medo das praias em Recife
  • Jogar videogame – tenho que tentar
  • Surfar – moro em Recife
  • Dançar – realmente sinto saudades de dançar sozinha no quarto
  • DIY – tenho uma lista no Pinterest de projetos
  • Jardinagem – apesar de ter abandonado minhas plantas nas últimas semanas, voltarei a cuidar
  • Tipografia – eu tremo, não sei se isso tem futuro
  • Cruzadinha – realmente nunca pensei nisso como hobby e é ótimo para trabalhar memória (a minha é péssima)
  • Conhecer gente nova – difícil, pois não ando saindo tanto. ME CHAMEM PRA SAIR!
  • Ver novas séries – acho que me cansei um pouco de série, mas voltei a ver filmes


Assim, eu decidi que vou tentar um item da lista por dia. Depois de trabalhar/estudar, tento uma. Em dois anos de mestrado (no qual um deles foi em depressão), finalmente estou me vendo melhor a ponto de me sentir bem saindo de casa. Então também tive a ideia de VISITAR PONTOS TURÍSTICOS (museus e afins) e EXPERIMENTAR OS CAFÉS DA CIDADE. Então acho que conhecer gente nova entra nesses dois.


Escrever já estava voltando a ser uma necessidade real para a alma, preciso colocar essas agonias e angústias para fora em palavras. Vai que seja também a sua e a gente se ajuda junto, não é mesmo? Então prometo que voltarei a escrever com mais frequência sobre essas aventuras, recomendar os filmes, as séries, as receitas, os jogos e mais outras coisinhas que podem ajudar nesse mundo cão que se concentra nessa telinha.


Hoje é terça, 7 de maio de 2019. Fica na agenda que a partir de hoje sempre terá newsletter e/ou texto no blog pra vocês mangarem (aka tirar onda) da minha cara ou mesmo me chamar pra tomar 300ml de café.

P.S. Esse texto é dedicado a Gabi que me recomendou como hobby escrever. 

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Miríade de sincronias

Eu sou fã de Masterchef. Gosto de me torturar vendo aqueles pratos maravilhosos enquanto eu estou comendo bolacha creme cráqui que harmoniza perfeitamente com uma taça de água. E também estou torcendo para o William nessa temporada. Essa semana, foi uma agonia o prato dele na prova de eliminação. Eu estava tão nervosa quanto ele jurando que o prato tinha dado errado. Como errar um arroz?! Mas aí, apesar dele se assegurar que o prato não estava digno para garantir sua vaga para a semifinal, os jurados amaram. E diante da decepção clara no comportamento do William, apesar da aprovação do prato, o chefe Jacquin fez um discurso que me tocou:

“Às vezes a gente faz as coisas sem querer. Às vezes a gente consegue, porque somos bons cozinheiros, porque a gente tem sorte, ou porque a gente ama o que a gente faz, e as coisas vem sozinhas. Não se esqueça disso.”

Recentemente eu escrevi sobre meu processo de depressão. Como foi difícil o aceitar que eu estava mal e que precisava tomar um tempo, indeterminado, para me cuidar. Mas apesar da necessidade urgente de me entender para ter forças para recolher os caquinhos do que eu era e tentar me reconstruir, o mundo não para de girar. E a vida continua. Eu sou mestranda e tenho uma dissertação para produzir. Entretanto, como produzir algo se eu mesma estava tentando me reedificar? Eu não podia me forçar, na verdade, eu nem tinha forças para agir. Não tinha como correr uma maratona com ambas as pernas quebradas. Eu sentia que, talvez, eu conseguisse voltar a ter o movimento das pernas. Mas eu precisaria de várias sessões de fisioterapia, e talvez eu ainda tivesse sequelas do acidente para todo o sempre.

Tiveram dias que eu precisei ficar de cama, imóvel, ou colocaria em risco os ossos que precisavam de descanso para se recuperar. Alguns dias, tentei levantar e até consegui andar com ajuda de alguém ao lado, mas os ossos ainda estavam fracos e precisei voltar para a cama. Quando eu entendi que precisava respeitar o tempo do meu corpo, eu esperei. Aos poucos consegui levantar e andar com o carrinho. Depois com muletas. Às vezes ainda sentia uma pequena dor, mas respirava, pensava: “eu já evoluí muito. Tudo bem não estar me sentindo curada ainda, se é que irei um dia”. Até que um dia, depois de algumas semanas andando só com ajuda de uma bengala, consegui andar sozinha. Me senti forte. Na verdade, até mais forte do que antes. Parecia que eu mesma tinha consertado os ossos das minhas pernas. Sentido cada pedaço quebrado voltando ao lugar certo, mesmo que com marcas no lugar onde rompeu.

E me sentindo bem para voltar a produção da dissertação, voltei. Voltei a maratona. E parece que as semanas, os meses que tirei para respeitar o tempo necessário para os meus ossos se fortalecerem os fizeram ainda mais resistentes. Mais robustos. Eu pensava que no longo tempo em que precisei esperar para andar com minhas próprias pernas, eu não tinha produzido nada. Mas na verdade, minha mente só estava esperando que minhas pernas estivessem bem para me mostrar um mundo de ideias que se formou nesse tempo em que eu pensava estar sendo uma mera paciente do meu destino. Em um dia escrevi coisas que eu nem esperava que fossem sair de mim.

E daí, o Jacquin me surpreendeu com esse discurso. Às vezes achamos que estamos perdendo nosso tempo, quando estamos nos maturando. Como um vinho guardado por longo tempo em uma adega para se transformar em um vinho memorável, cheio de histórias, com uma complexidade de sabores. Com uma identidade própria. É permitir que o tempo transforme nosso arranjo de grafite.

A botânica Robin Wall Kimmerer, falando do Schistostega pennata, um musgo singular no mundo botânico, nos traz:

Timing is everything. Just for a moment, in the pause before the earth rotates again into night, the cave is flooded with light. The near-nothingness of Schistostega erupts in a shower of sparkles, like green glitter spilled on the rug at Christmas… And then, within minutes, it’s gone. All its needs are met in an ephemeral moment at the end of the day when the sun aligns with the mouth of the cave… Each shoot is shaped like a feather, flat and delicate. The soft blue green fronds stand up like a glad of translucent ferns, tracking the path of the sun. It is so little. And yet it is enough. [...] The combination of circumstances which allows it to exist at all are so implausible that the Schistostega is rendered much more precious than gold. Goblins’ or otherwise. Not only does its presence depend on the coincidence of the cave’s angle to the sun, but if the hills on the western shore were any higher the sun would set before reaching the cave… Its life and ours exist only because of a myriad of synchronicities that bring us to this particular place at this particular moment. In return for such a gift, the only sane response is to glitter in reply.”

Não sabemos quando nos acontecerá esse momento efêmero da entrada da luz do sol na caverna em que nos encontramos. Ou se as montanhas da costa oposta impedirão que o sol entre. Mas a verdade é que nossa vida é resultado dessa miríade de sincronias e por mais que eu tenha pensado que eu perdi tempo no processo de cura dos meus ossos, talvez, os momentos em que eu estava na cama, andando com ajuda das muletas e depois da bengala, foram exatamente os momentos em que a luz do sol estava alinhada a entrada da caverna. A flor do Mandacaru só se abre na madrugada. Nossa luz também pode ser a escuridão. Aliás, a luz só existe com a existência da escuridão. E a escuridão, da luz.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Um jornal

Atualidade >

Jovens são expulsos do país por familiares conservadores


Os três primos foram perseguidos por advogarem pela verdade e pelos direitos humanos e individuais, mas foram retaliados por membros fascistas da família

 
Ottawa – 30 de dezembro de 2018
 
“Eu sempre tive vontade de sair do país, mas não esperava que eu fosse ser expulsa por membros da minha própria família”, disse Ana (nome fictício por não querer ser perseguida novamente pela família) em seu novo apartamento na cidade canadense de Ottawa, ao lado da irmã Mariá e do primo Bruno (nomes também fictícios). De acordo com a jovem de 27 anos, tudo começou no grupo do whatsapp que levava o nome da sua família por parte de mãe.

O marido de sua tia postou um áudio em que defendia a candidatura do ex deputado federal e futuro presidente do Brasil Jair Bolsonaro. “Depois que ele postou o áudio, minha tia favorita (a das poucas que prestava realmente na família), postou emojis de vômito”, falou Ana, “mas a esposa do meu primo, que já tinha sido racista com minha prima negra, colocou emojis de palmas. Eu fiquei muito indignada, pois ela já tinha sido preconceituosa com minha prima, além de calado o lugar de fala de uma afrodescendente em relação a fantasia de nega maluca”.

Mariá relembra que depois desse episódio, os membros da família que eram negros se afastaram mais das reuniões de família: “Foi horrível. São meus parentes mais próximos e por causa de uma sinhazinha de cabelo loiro e olhos claros, eles não se sentiram mais a vontade de se reunir com a família. E eu só vi essa mulher uma vez na vida! Aí agora ela vem defender Bolsonaro quando toda a minha família sabe que eu sou gay. Como defender um cara que diz que me bateria se me visse se beijando com minha namorada na rua?!”, fala Mariá claramente consternada, ela continua: “eu comentei que era meio absurdo defender isso quando se sabia da minha realidade. Mas a coisa ficou feia quando a Ana se posicionou”.

Ana mostra com orgulho a tatuagem que tem em homenagem ao sobrenome no braço direito. “Eu não podia deixar que pessoas que roubaram meu sobrenome sujassem ele, né?”, se referindo a esposa do primo e ao esposo da tia. Ela já tinha saído do grupo da família quatro anos atrás, na eleição passada. “As pessoas estavam defendendo o Aécio dizendo que ele era a melhor opção. Mas alguns anos depois todos vimos ele envolvido na Lava Jato e ainda ameaçando matar o primo né? Apesar de que até entendo agora esse sentimento” – disse rindo em conjunto com a irmã e o primo.

“Eu saí do grupo, porque eu realmente estava ficando doente daquilo. Eu sofro de ansiedade e depressão, ver pessoas defendendo absurdos realmente estava me fazendo mal. Mas ver pessoas que roubaram meu sobrenome defendendo Bolsonaro pra mim foi a gota d’água. E aí, foi quando eu soltei a boca no trombone. Usando o celular da minha irmã, claro”.
Ana diz que não tolerava que usassem o nome da sua família para defender uma pessoa machista, homofóbica, misógina, imbecil, racista, violenta e pactuada com a tortura como Bolsonaro. Ainda disse que só uma pessoa que não estudou história do Brasil e que não sabia interpretação de texto poderia cogitar votar em uma pessoa assim. “E no mínimo, uma pessoa que vota para o cargo mais importante do país compactua com todas as características de personalidade dele né?”.

“Até pouco, eu pensava que a fala da Ana tinha começado um pesadelo, mas na verdade foi a melhor coisa que aconteceu em nossas vidas.”, interviu Bruno. Depois do comentário de Ana, um dos primos favoráveis ao futuro presidente falou que a defesa de Ana era na verdade um discurso de ódio e que Bolsonaro era o melhor candidato para proteger o Brasil contra o feminismo e o comunismo, além de proteger a família e a igreja. “Eu nem li direito, porque claramente Ana só falou verdades. Mas respondi dizendo que qualquer pessoa com senso crítico poderia ver que a plataforma do Bolsonaro era absurda”.

No outro dia, Ana sofreu retaliações dos pais que exigiram que ela pedisse desculpas por ter agredido os familiares que se sentiram ofendidos pelo comentário. “É claro que eu disse que não me desculparia. Se a verdade dói, que eles falem com Deus, não comigo”, lembrou Ana. Falamos com os pais de Ana e Mariá. Professora e militante do sindicato dos professores, a mãe delas comentou: “Apesar de achar Ana muito... digamos... apaixonada pelas causas sociais e que acaba parecendo meio desequilibrada a forma como ela defende, senti muito orgulho da minha filha. Fez jus ao nome como faria minha avó. Infelizmente, as pessoas optam pela ignorância, pois eu sei que todos da nossa família tiveram oportunidade à educação e a construção de um senso crítico. Fico triste de não ter tido minhas filhas aqui no natal, mas sei que elas estão em um lugar melhor”. O pai delas comentou que Ana deveria mesmo assim ter pedido desculpas: “Ela deveria aprender a ser amável. O mundo é dos pacíficos”.

As perseguições começaram quando no aniversário de uma tia, os membros da família se reuniram. A esposa dita como racista pelos jovens expulsos, olhou para eles e depois de ver as tatuagens e os piercings que Ana, Mariá e Bruno tem, ela falou alto na frente de todo a família: “Quem tem piercing e tatuagem claramente não tem deus no coração. Minha filha vai ser bem educada para respeitar o próprio corpo como Deus defende. Isso é coisa do demônio”. Bruno relembra: “A Ana e a Mariá começaram a rir loucamente. Eu fiquei meio sem entender o ataque gratuito. Mas mais uma vez, Ana foi afrontosa”, ele fala rindo e olhando para prima que tinha acabado de abrir uma garrafa de vinho e me oferecido uma taça.

“Eu não fui afrontosa. Eu só disse que se o deus dela foi aquele da bíblia, tava tudo ok, porque eu não gostava dele também”, e continuou, “você já leu a Bíblia? O primeiro testamento? Aquilo é horrível! Deus é muito ruim!”. Bruno tomou um gole do vinho e continuou: “Daí a sinhazinha, como chamamos a esposa do nosso primo desde então, veio dizer que Ana era....” e ele começa a rir, mas completa ainda rindo muito “INTOLERANTE!”. Todos eles começam a rir que chegam a chorar.

Depois disso, eles começaram a sofrer retaliações todos os dias. Parentes ligavam para a casa deles dizendo que eles não eram dignos da família. Mariá comenta: “Nós não éramos dignos da família. NÓS! Por favor.... Nosso primo dizendo que o Bolsonaro defendia a família tradicional brasileira. A família dele era então? O avó um machista escroto que abandonou nossa avó com seis filhos; um tio que abandonou as filhas e já bateu na mulher; a irmã puta, nada contra putas, inclusive sou a favor, mas pra visão dele né?. E que ainda foi drogada! Nada contra as drogas também, sou super a favor, inclusive aqui no Canadá é legalizado” e aponta para a caixinha onde eles guardam maconha para relaxar depois dos dias de trabalho. “Aí ele vem defender a tradicional família brasileira com tanta coisa assim na família dele? Existe uma coisa pra isso: hipocrisia”.
Os pais dos jovens começaram a também serem retaliados caso não punissem os filhos considerados escória da sociedade. “Eu saí uma vez na rua com minha camisa da URSAL e uma tia viu e ligou para minha mãe dizendo que eu estava fazendo vergonha em público.”, falou Ana.

Foi quando o Bolsonaro ganhou que os ataques se intensificaram. Mariá, gay, lembra que ouviu em uma reunião da família que ela tinha sido mal educada e que não tinha levado pisa o suficiente em casa para ‘se endireitar’. Ana foi expulsa da casa da tia por vestir a camisa “Lute como uma garota” porque era feminista demais. Bruno foi humilhado por ter um piercing no septo porque brinco era coisa de mulher.

“Não aguentamos mais a violência. E foi quando surgiu a ideia de pedir asilo político”, lembrou Bruno. “Eu já tinha uma amiga que morava no Canadá. Ela facilitou muito na documentação para pedir o asilo político, foi mais rápido do que imaginávamos. Muitos canadenses ajudaram americanos quando o Trump foi eleito e pensamos que o mesmo poderia acontecer conosco”, falou Ana.

Foi quando Mariá foi ameaçada de agressão física pelo avô que eles decidiram arrumar as malas e partir. “Foi meio triste. Mas quer que eu seja sincera? Eu nunca gostei da minha família mesmo. Com exceção de alguns. O meu primo mais legal está aqui”, falou Ana abraçando Bruno e sorrindo. Bruno lembrou que sofreu bullying quando criança pelo irmão e primos que hoje eram eleitores do Bolsonaro e comentou “Vai ver a gente já não gostava muito deles por prever o futuro”, riu.

Hoje, os jovens dividem o apartamento e vivem felizes. “Aqui a gente se ajuda muito. Ana já tinha contatos para trabalhar aqui. Mariá trabalha com mídia social e não foi difícil trabalhar como freelancer e agora também trabalha para o Buzzfeed Canadá. Eu sempre quis vir morar aqui por ser designer de jogos. Tem melhor lugar que o Canadá pra isso? E modéstia parte, eu sou um designer da porra”.

“É incrível morar aqui. Eu morro de rir de ver que xingar uma pessoa é dizer palavras relacionadas a igreja católica. IMAGINA ISSO COM A SINHAZINHA?!” E mais uma vez caíram no riso. “E sabe o que é mais engraçado? Um dos primos que foi apático às agressões que estavam fazendo contra a gente, ligou pedindo pra gente levar um iPhone pra ele porque aqui na América do Norte era mais barato. Eu ri e disse: Meu cu”. 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Downton Abbey

Já tinha um bom tempo que meu amigo tinha me dado a cópia de um CD com a primeira temporada de Downton Abbey. Porém, a preguiça correria do dia-a-dia não me deixava parar para começar a assistir. Mesmo vendo as propagandas na GNT e achando tudo lindo, o CD se manteve guardado por alguns meses. Ou anos.

Até que nas férias de três meses com muito o que estudar mas sem coragem alguma e evitando assistir Girls porque eu sei que me abalará emocionalmente de uma maneira que eu não me aguentarei por alguns dias, decidi começar assistir a série inglesa que eu já sabia ser bastante premiada... Mas hoje eu penso, onde eu estava com a cabeça?


O vício foi instantâneo. Eu acabei a primeira temporada em dois dias e se eu contar os dias em que assisti as quatro temporadas, creio que totalizaria em duas semanas.

Eu depois de passar uma maratona de Downton
Downton Abbey é uma propriedade de uma família da aristocracia inglesa. Residência da família Crawley e seus empregados, a abadia é cenário de eventos históricos. Para começar, o primeiro episódio cita o fatídico dia do náufrago do Titanic em 1912 e as possíveis consequências da morte de alguns familiares na manutenção de Downton. Entretanto, a série conta com diversos outros acontecimentos históricos que fazem com que se torne ainda mais interessante de assistir e observar as mudanças culturais na sociedade inglesa: primeira guerra mundial, a presença da mulher no mercado de trabalho, homossexualidade, escravidão... Isso tudo é o que você precisa pra ficar situado na história.

É bom que você não tenha coração para assistir essa série em paz.
Agora para as minhas observações:

Como dito, a série é inglesa, então você sempre vai ficar babando pelo sotaque inglês lindo. Segundo, o casting é maravilhoso e só pra te deixar 'omg, i've gotta see it' tem a Maggie Smith, que está simplesmente fantástica na série e solta as frases que eu quero colocar em camisas para ir pra faculdade.


Terceiro, parece uma novela de época. E isso inclui os dramas. MEU DEUS, OS DRAMAS. Prepare seu coraçãozinho, porque Downton Abbey irá maltratá-lo de um jeito que você nunca sentiu antes. Eu já passei 30 minutos chorando agarrada com meu ursinho, salgando a pipoca com minhas lágrimas.

Separa a caixinha de lencinhos, amiga.
É tão novela que os vilões são tão ruins que quando aparecem cenas com eles você tem vontade de jogar o notebook pela janela.


E quando as pessoas legais sofrem na série, você apenas sofre e quer chorar junto com elas.




A série já está indo para sua sexta e última temporada. E eu só prevejo lágrimas.

LÁGRIMAS.


Mas olha, além de lágrimas, essa série roubou meu coração. Então coloca Downton Abbey na sua lista e seja feliz. Chorando, mas feliz.

Sobre os familiares bolsonaristas

Conseguimos. Chegou a hora que o Jair já foi embora. Lula já tomou posse, Resistência subiu na rampa, o povo brasileiro passou a faixa para...